Olhando pela janela vejo o céu sem estrelas,parece um azul escuro, pincelado por uma brisa fresca.Um tempo desses traz algumas recordações, traz umas reflexões, lembranças de um tempo que parece que foi ontem que aquilo aconteceu.Quando a gente sem perceber se pega visualisando um rosto, um nome de uma pessoa que nem lembravamos que tinhamos conhecido, é até uma certeza da importância de quantos os outros e não importa quem o sejam tiveram uma marca em nossas vidas.Recordo as caminhadas numa avenida comprida,a calçada feita de pedras quadriculadas,as muretas vazadas uma de cada lado das calçadas que eram entrecortadas horizontalmente por um riacho.Esta avenida deve ter mais ou menos tres a quatro quilometros e, nas calçadas direita e esquerda que dividiam a avenida ao meio, haviam banco de pedras colocados a uma certa distância entre eles que contracenavam com àrvores que no verão refrescavam quem por ali passava, enquanto que no inverno,o barulho de suas folhagens , o vento soprado pelo mar que, era o começo ou fim do caminho, alimentava uma solidão, um friozinho na barriga principalmente de madrugada quando havia nevoeiro, daqueles de filme ingles.Conhecida como avenida do canalete, servia de divisa entre o centro da cidade e outro bairro chamado Cidade Nova. .Engraçado que no começo dela está até hoje o quartel de Exército Brasileiro e ao fim dela estava o famoso Cadeião, que era a cadeia pública da cidade. Sempre que passava em frente ao quartel, tinha-se que atravessar a calçada pois, era proibido caminhar rente à parede do quartel, enquanto que na calçada em frente à cadeia, não havia essa particularidade.A parte delicada de passar em frente à cadeia, que de tres ou quatros andares, não lembro bem, é que os presos ficavam nas janelas gritando, pedindo cigarros, fazendo chacotas, dizendo gracejos às moças e senhoritas bonitas e até as feiinhas não escapavam de seus palavreados.Já no quartel era bem diferente pois, durante o mês de agosto haviam festividades no Exército e as escolas e o público eram convidados a conhecerem suas instalações e armamentos,inclusive entrar nos tanques de guerra.
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